Templates da Lua

Créditos

Templates da Lua - templates para blogs
Essa página é hospedada no Blogger. A sua não é?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

E ela esperou. Sentada, quietinha durante anos.
Ele dissera que voltaria, voltaria para estar com ela por todo o fim de suas vidas. Ele dissera que a amava. Ela, ingênua e crédula, acreditara e prometera esperar por ele.
Despediram-se com um abraço que ela não sabia que fora o último. Acenara até que seu vulto tivesse desaparecido no horizonte e, em seguida, sentara-se ao chão, exatamente onde ele a deixara e esperou.
Durante anos suportou o frio que a fazia tremer, o calor que a fazia delirar, suportou chuvas, nevascas e ventanias. Suportou tanto as tantas coisas que sua pele não mais sentia o calor do dia ou a brisa da noite. Suportou tanto as tantas coisas que não mais se espantava com a vida e nem mesmo com a morte. Esteve tanto tempo sentada esperando-o que não mais sabia andar, contorcia-se em sua própria pele, agoniada, no mesmo lugar,
Esperara tanto tempo sozinha que nem ao menos sabia mais como era não estar só.
Por tanto, tanto tempo ...

Um dia, porém, em que ela esperava quieta e sozinha com suas mãozinhas estendidas, pedindo e pedindo, um passarinho poucou sobre a longa cauda de seu vestido esfarrapado, observando-a com curiosidade. Deu dois pulinhos para o lado, balançou a cabeça e perguntou:
- Ó menina, que fazes aqui sozinha?
A menina, que nunca mais falara desde que fizera sua última declaração de amor, sentiu sua garganta arder. Tossiu um pouco, pigarreou e conseguiu, por fim, dizer com um fiapo de voz:
- Estou esperando meu amor, senhor-passarinho.
- E quem é teu amor, dona -menina?
- Meu amor... -sussurou ela- meu amor é o moço mais corajoso do meu mundo, senhor passarinho. É um rapaz que é só carinhos e dengos para comigo... e que me ama, mas que foi embora e que me deixou aqui a esperar ...
O passarinho a olhou com pena, picou o chão umas duas vezes e voou para trás, receoso do que iria dizer:
- Esse seu amor-rapaz não mais existe, dona-menina. Ele não é corajoso em nenhum dos muitos mundos e é só carinhos e dengos para uma outra dona-menina com quem o vi passar...
Ela arregalou os olhos, sem entender, incrédula.
-Não! Não! Estás enganado, senhor-passarinho!- suspirou ela, confusa- Meu amor virá, sei que sim, ele disse prometeu. Ele disse que sim!
O passarinho novamente a olhou com piedade, balançou sua cabecinha e disse:
-Ele não a ama, dona-menina. Nem a você e nem a ela.
Em seguida soltou um pio tristonho e voou devagarzinho, deixando-a sozinha.


A pobre menina tentou em vão se levantar para ir atrás de seu rapaz. Não conseguiu. Suas pernas haviam encolhido e atrofiado devido a todo o tempo que esperara.
Começou então a arrasta-se, rastejando e cravando seus dedinhos frágeis na terra suja e fria.
Sangrava.
A menina então tentou gritar seu nome, mas não tinha forças para mais que um sussurro.
Tudo o que queria era falar com ele, seu amor, ele esclareceria tudo. Era um mal entendido, tinha certeza que sim, ele voltaria, ele dissera que sim!
Chovia agora.
Ela parara exausta, suja e sangrando. Ele não viria afinal de contas. Porque demoraria tanto, então? Se ele a amasse, se tivesse dito a verdade, ele não deixaria que ela sofresse tanto e por tanto, tanto tempo...
Olhou para si mesma, lentamente.
Fraca, calejada, enrijecida pelo tempo. Havia rugas em seu rosto outrora delicado, seu corpo antes tão macio era agora áspero de tanta mágoa. Seus olhos tão amorosos eram, agora, vazios. Lembrou-se de tudo o que era antes e pensou sobre o nada que era agora.
Já não poderia viver mais! Toda a sua existência fora ele!

Ela esperaria ainda. Esperaria sempre.

Um dia ele voltaria.






O tempo passara e a menina foi tornando-se mais e mais enrugada e quieta, fechada em si mesma. Suas perninhas atrofiadas penetraram na terra, talvez com medo de que um dia, ela saísse de lá. Seus cabelos macios e negros tornaram-se verdes e quebradiços, espaçados devido ao desgaste de todo o sol que suportara.

Nunca, nunca mais a menina, pobre menina, saíra de seu lugar. Ao contrário. Transformara-se em um ser estranho aos que já existiam. Com o passar do tempo, ela percebeu, outras transformaram-se, assim como ela.

Hoje as chamamos de árvores. Tão pouco para expressar que são apenas meninas, pobres meninas, cansadas e esperando por seus amores.

Um comentário:

Jommy Johnny disse...

Eu ainda sinto sua falta